sábado, 7 de abril de 2007

Universo infantil

Terminei de ler o livro Clarita da Pá virada, publicado originalmente em 1939 e que foi relançado pela editora Lacruce no ano passado.
Eu li a primeira edição - de 1945 - de Clarita no Colégio, no próprio Colégio, quando encontrei a obra em meio aos muitos documentos que eu estava organizando.
A Clarita é, na realidade, Maria Clarice Marinho Villac, que estudou no Colégio Progresso entre as décadas de 1910 e 1920. Ela conta sua vida no Colégio Progresso e o importante papel que Dona Emília teria representado em sua vida ao orientá-la pelo bom caminho e controlar seu gênio difícil, propenso às travessuras e confusões.
Eu tive bastante trabalho para descobrir quem Clarita seria na realidade, pois o livro trazia o pseudônimo da autora: Violeta Maria.
Tendo conhecido um pouco da vida de Clarita através de sua trajetória no Colégio, acabei querendo saber sobre o outro livro que ela publicara. Ano passado fiquei surpresa com a publicação do livro que consegui encontrar na biblioteca do Colégio Progresso, porém lá a edição é de 1982, uma reedição da obra conhecida e admirada por muitas gerações.
O livro é realmente interessante e tem uma linguagem envolvente. É interessante por trazer ao leitor a vida de uma menina no início do século XX, com suas brincadeiras e travessuras. Clarita nos mostra o universo de uma família com uma boa condição de vida. Tanto que a menina tem sempre bastante tempo para brincar com seus irmãos e tios, aprontando muitas coisas e dando trabalho aos adultos. Um universo diferente de Minha Vida de Menin
a (Cia das Letras), no qual Alice precisava ajudar nas tarefas de casa, sempre em meio às dificuldades financeiras.
Apesar deste universo tão encantador no qual Clarita se encontra, a infância que ela retrata não é sempre tão maravilhosa como parece ser. Clarita é vista como uma menina travessa demais, que só tem a preocupação de aprontar traquinagens com todos que a cercam e por este motivo mereceu alguns castigos e punições. Como menina, ela deveria se mostrar mais obediente e delicada.
Em Clarita no Colégio emerge essa mesma tônica no gênio difícil de Clarita, que precisa ser corrigido antes que ela se desvie. A escola aparece como um espaço necessariamente disciplinador, procurando "curar os males" que a família até então não tinha conseguido corrigir...
Apesar de mostrarem um universo infantil aparentemente ingênuo e encantador, são livros que merecem um estudo mais aprofundado, que permitam aguçar o nosso olhar.

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Snoopy

Rose is Rose, by Pat Brady; by Don Wimmer

Rose is Rose, by Pat Brady; by Don Wimmer