quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Mais história

Como prometi, vou contar um pouco da história de Dona Emília de Paiva Meira, a diretora que tanto marcou o Colégio em que trabalho. Eu mesma a conheci muito antes de entrar para a escola, pois li alguns artigos sobre a escola antes de iniciar minha pesquisa lá. Dona Emília de cara me chamou a atenção, porque ela deu um ar muito religioso pra uma escola que nacseu pra ser laica. Fiquei superintrigada e quis saber mais da vida desta mulher.
No Colégio Progresso a Dona Emília Meira é um marco importante, porque foi ela que consolidou a instituição na cidade. Isso não significa que ela tenha feito tudo sozinha, ela tinha apoio de gente muito poderosa.
Aliás, a Dona Emília já era de uma família influente. Ela era filha do conselheiro João Florentino Meira de Vasconcellos no tempo do Império, o que não é pouca coisa. Ela nasceu em 1872 na Parnaíba, Piauí e estudou no Colégio Progresso do Rio do Janeiro, capital do Brasil naquela época. O Colégio Progresso lá era só para meninas também e tinha um ensino diferenciado, pra ser mais interessante e menos tedioso do que o que existia.
Naquele tempo meninos e meninas estudavam em escolas separadas, pois, além de não ser bom estimular a convivência entre os dois sexos, cada um tem seu ritmo de aprendizado e matérias diferentes também. Isso significava dizer que a mulher não tinha muita habilidade para a matemática e outras matérias mais intelectuais. Ela aprendia melhor línguas estrangeiras, artes e trabalhos manuais. A formação da mulher era pensada para que ela administrasse bem o lar, como esposa e mãe, primeira educadora dos filhos. Pelo menos é o que se acreditava na época...
Dona Emília aprendeu muitas coisas no Colégio Progresso, que ensinava matemática, ciências e geografia. Alguns cadernos dela e da irmã foram guardados por ela no Colégio Progresso em Campinas e estão lá até hoje. Dona Emília fez o curso normal e, assim, podia lecionar.
Em Curitiba ela abriu um Colégio Progresso nos moldes do Rio de Janeiro, mas ela acabou tendo que sair do Estado, por motivos que por enquanto não sabemos. De lá ela foi para Campinas, onde foi convidada pelo próprio Orosimbo Maia para dirigir o Colégio Progresso Campineiro.
Em 1913 os fundadores (Orosimbo Maia e companhia) não quiseram mais levar a escola adiante e passaram-na à Dona Emília. Ela tomou conta do colégio com a ajuda do Orosimbo Maia e de outras pessoas influentes na sociedade, incluindo padres e bispos. Ela também tinha uma bela herança e com o aluguel de propriedades, além da mensalidade das alunas, ela conseguiu manter o estabelecimento.
O colégio ficou instalado em um prédio deifinitivo em 1917, que é o mesmo de hoje, na Aveninda Júlio de Mesquita. Dona Emília conseguiu fundar outro Colégio Progresso em Araraquara e criou a Escola Normal anexa ao colégio em 1928. Isso significava que as estudantes do Progresso podiam fazer o curso para se tornarem professoras.
Em 1928 também Dona Emília fundou a Soceidade Brasileira de Educação e Instrução de Meninas. É essa Sociedade que passou a manter a escola até 2003. Dona Emília precisava garantir que a obra progressista fosse levada adiante mesmo após o falecimento dela e a Sociedade foi criada com essa finalidade.
Dona Emília foi uma diretora muito amada e respeitada, não só pelas suas alunas, mas pela sociedade como um todo. A piedade e virtude que ela procurava expressar acabou conquistando as pessoas e ajudou o Colégio Progresso a se tornar uma instituição respeitada.
Dona Emília Meira foi tão adorada por todos que, quando faleceu, em 1937, ela foi enterrada na própria escola, ao lado da capela. A notícia de seu falecimento foi publicada em vários jornais, todos guardados no Colégio.
As discípulas de Dona Emília levaram deram continuidade à sua obra, através da Sociedade Brasileira de Educação e Instrução, da qual só participavam mulheres católicas e solteiras! Só em 2004, quando o Colégio quase fechou, que a Metrocamp assumiu a manutenção da escola.
Pois a Dona Emília acabou deixando uma marca profunda no Colégio e sua personalidade até hoje me intriga muito e por isso pretendo conhecer melhor sua personalidade com base nos documentos dela e sobre ela que existem na escola. Quem sabe não descubro mais algumas coisas?
E quem achava que documento antigo é só morada de ácaro, pode ir repensando o assunto, porque o trabalho com estes materiais nos dá ares de detetive e caçadores de tesouros...
Por essas e outras que amo meu trabalho!



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Snoopy

Rose is Rose, by Pat Brady; by Don Wimmer

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